3.8.09
Zê
24.7.09
lembranças de um derivador.
16.7.09
29.6.09
corpografado-fragmentar
5.3.09
Três lados de chuva.
um objeto abundante de si
que permeia toda substância
diferente. Coisa penetrante
a qual impregna tudo em
fome, tudo em excesso, tudo
a partir de sua vertigem e
tamanho. Ao abrir-se,
já dentro deste outro, ela
aninha em seus órgãos a
textura da cor, a nervura de sua
distinção, o frêmito da dobra
que a conjura.
Emprenha nesse ente a síndrome
da abundância, que mutila
o essente, o duro, o ressentido ...
Ao contato, nada o é, fora
fluxo, fora corrente, fora
gota náutica que ensurdece
asfaltos e telhas. Ao
contato jorra o impulso
de seu finito beijo,
que no outro sabe-se lá
quantos metros o devora.
Ao contato, sendas abertas
se erguem multíplices
de queda, de fissura.
Ao contado, inteligível
não se enuncia, serão
pernas, abrigo, frio ou
esplendor. Ao contato
regem dez mil movimentos
imprecisos, que decompõem. Ao contato,
imagens ocres arenosas evanescem
em forças escorregadias
e elétricas. Ao contato
o sangue ébrio desatina
(célere).
16.2.09
Paisagem e Cor
Num bar a praça se aninha. Em teu seio morno de gente bruta e brasileira, bebe-se, erra-se, verbaliza-se, pede-se, fuma-se, mija-se, mastiga-se, esgueira-se, mata-se o dia. Num ponto qualquer, casa, rua e varanda. Carlito transita entre-mesas, pura cadência. Passos, cruezas e o pedido decorado no suor salivado. Mais um de trinta outros. Sentado e calmo, relaxo minhas mãos aos pés do cigarro que não escapa por segundos seu corpo da boca minha. Olhos de frente ao verde, aos prédios de certa antiguidade, vai-se olhando... ambiente nunca visto, nunca sentido, nunca amado. Olhar de quarenta dias. Olhar que tenta olhar com seus quarenta dias virgens. Olhar hermético que ziguezagueia pelas linhas das trilhas, das moças, do pedinte diário. Sorvo o liquido. O cansaço vai sendo deslocado gole a gole. Cansaço de tantas linhas. Saudades de tantas linhas. Uma felicidade se alastra. Ainda há vigor para tatear absurdos.
3.2.09
Cotidiano
Surgia do seu íntimo um prazer muito próprio, muito usual que só de se encontrar se suporta. Mais de anos passados, e nada mais se podia fazer com aquelas mãos que não fosse fruto de aspereza e simetria náutica: suas linhas precisas e desgastadas abriam seu corpo como mapa uniforme e vagabundo. Ao sobrepor sua palma entre tantas pernas a baba cai. Todo dia ele sonda aqueles traços, obscenamente perscruta sua falta de harmonia, todo dia sai de mim para narrar outro ângulo alternante, todo dia se descobre lesado numa maravilha que não possui dono, todo dia senta em seu lugar, todo dia pára o pulso e sangra, tempestade, todo dia não faz diferença alguma. Emparvecido levanta-se